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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Entrevista do Ministro da Educação Nuno Crato ao Canal de Televisão RTP 1 vs Política de Nuno Crato tem um Ponto Fraco Gravíssimo

Entrevista do Ministro da Educação Nuno Crato ao canal de TV RTP 1 na noite de hoje
Transcrevemos o essencial do que retivemos da entrevista ao Ministro da Educação Nuno Crato. Segundo as palavras do Ministro deverá haver:

- Mais escolas que vão fechar vem 2012, porque tem que haver uma maior racionalização de recursos;

- Maior autonomia para as escolas;

- Pais e encarregados de educação deverão ter liberdade total na Escolha da Escola que os seus educandos irão frequentar;

- Divulgação dos resultados alcançados pelos alunos nos exames nacionais;

- Competição entre as escolas;

- Reavaliação da continuidade das obras levadas a cabo pela Empresa Parque Escolar;

- Reavaliação do Programa Novas Oportunidades, uma vez que se fizeram algumas coisas bem, mas também se foi longe de mais, já que a partir de certa altura se passou praticamente a oferecer diplomas de final do ensino básico e/ou secundário;

O Ministro referiu ainda que os exames dos alunos, os currículos e os manuais escolares, deixam muito a desejar. Para haver bons resultados escolares, tem que existir trabalho e rigor.

Comentário THE BESTS:
No essencial concordamos com Nuno Crato, mas em um dos pontos, somos frontalmente contra a posição do Ministro da Educação, uma vez que ele deverá ser a favor da inclusão e da igualde de oportunidades para todas as crianças e jovens alunos e não contra.

O Ministro ao conceder liberdade total a pais e encarregados de educação na escolha da escola para os seus filhos e educandos, por oposição ao atual critério aceitável de proximidade geográfica, tendencialmente, estará a promover a exclusão social e a desigualdade, quando deveria fazer o contrário. Se este modelo que o Ministro defende resulta eventualmente em outros países, em Portugal não é adequado, atendendo às nossas especificidades culturais e sócio económicas que se traduzem muitas vezes em grande desigualdade e assimetrias sociais. Isto porque, alunos provenientes de famílias destruturadas e/ou provenientes de famílias e meios económico/sociais mais desfavorecidos, tenderão a concentrar-se em guetos de alunos problemáticos e/ou delinquentes. No polo oposto, ficarão os alunos provenientes de famílias das classes média e alta, ou seja, provenientes de famílias com maiores recursos e cujos pais e encarregados de educação estão mais bem informados e possuindo um melhor conhecimento e uma maior influência social, conseguirão concentrar os seus filhos/educando nas mesmas escolas, criando assim escolas de elite, por oposição às escolas e guetos de alunos mais desfavorecidos e/ou delinquentes, com maiores dificuldades e por vezes provenientes de famílias destruturadas.

Quanto à "bandeira" apresentada pelo Ministro sobre os resultados dos exames nacionais e competitividade entre as escolas, trata-se de um falsa questão, uma vez que os resultados dos alunos nos exames nacionais, traduzem mais o meio social e a origem familiar e sócio económica dos alunos e menos a qualidade dos professores e das prática letivas.

Já agora, em relação à questão da autonomia, deixamos uma recomendação ao Ministro Nuno Crato: Se até há pouco tempo as escolas tinham liberdade total na escolha dos seus fornecedores, desde o fornecedor do pão e dos sumos (corrijam-nos se estivermos enganados), até ao fornecedor do papel e tinteiros para computadores, hoje já não é assim. Na última parte da governação de José Sócrates, as escolas ficaram obrigadas a fazer as suas compras junto de uma plataforma de compras designada pelo Ministério da Educação. Plataforma esta que por vezes obriga as escolas a pagarem mais caro pelos bens adquiridos do que anteriormente, quando era a escola que decidia  a escolha dos fornecedores que melhor assegurassem a relação qualidade/preço e negociava diretamente com eles. Hoje não é assim e perguntamos, afinal onde é que está a tão proclamada autonomia das Escolas?
E já agora, o Ministro não se referiu em relação aos contratos de autonomia que em princípio ainda estarão em vigor e que foram celebrados em 10 de Setembro de 2007 entre o Ministério da Educação e 22  escolas do País. Esses contratos ainda estão em vigor ou foram suspensos?

Esperamos que Nuno Crato volta a conceder às escolas a possibilidade de negociar diretamente com os seus fornecedores, podendo assim escolher mais barato e regatear preços, o que ajudará a reduzir a despesa do Estado suportada com a Educação.

Publicação THE BESTS relacionada: Modelo de "Gestão Centrada na Escola" do Ministro Nuno Crato é "Um Modelo de Mercado" existente desde os anos 80 vs Resultados da Investigação
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