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sexta-feira, 15 de abril de 2011

D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, entrevistado na RTP1 por Fátima Campos Ferreira

Cardeal Patriarca de Lisboa D. José Policarpo, foi esta noite entrevistado por Fátima Campos na RTP 1.
Iremos relatar o que retivemos sobre o essencial da Entrevista.
Fátima Campos Ferreira (FCF): Atendo à actual crise em que Portugal mergulhou, o que poderão fazer os Portugueses?
D. José Policarpo (DJP): A crise actual é de um complexidade tal que ainda todos estamos a tentar perceber o que se passa e o que pode ser feito.

DJP: O que poderão fazer os Portugueses, é uma questão que se pode colocar. Os Portugueses devem resistir. A Igreja está com os mais necessitados. É sempre possível uma ajuda alimentar.
DJP: É muito importante que os Portugueses tenham uma consciência de povo. É preciso que haja a consciência do colectivo. Como colectivo os Portugueses deverão estar conscientes de que deve prevalecer o espírito de entreajuda. Se os que estão mal receberem ajuda do seu semelhante, será mais fácil atenuar os efeitos da crise. Seá muito pior e mais complicado se cada um resolver os problemas por si e só olhar para o seu problema. Todos temos que nos unir e ter uma atitude nobre.

FCF: Há crise é profunda e existe nas vertentes financeira, económica e politica.
DJP: A crise está a ultrapassar a nossa capacidade de compreensão. As forças políticas com responsabilidade deveriam ter agido há mais. Já é tarde mas os portugueses ainda vão a tempo.
DJP: É preciso conseguir a força de entendimento colectivo, porque há coisas a fazer e não é só a sopa, ou o problema dos juros. É preciso repensar Portugal. Repensar o papel do Estado, a organização da sociedade civil, a participação dos cidadãos.
FCF: E quem poderá ser o “pivot” aqui em Portugal, ou seja, quem poderá dar o clic para repensar e melhorar Portugal?
DJP: A seguir as eleições pode-se decidir quem pode fazer isso.
DJP: Há um mal estar e uma insatisfação em relação ao funcionamento dos partidos. A nossa democracia está assente nos partidos e eles são o garante da democracia. Os partidos têm que governar.
DJP: Os políticos actuais sofreram um desgaste e perderam credibilidade junto dos Portugueses. Os Portugueses quando forem votar, em certa medida não acreditam nos partidos.
DJP: As lideranças actuais a e a prática partidária é diferente dos políticos do passado. Há um desgaste das próprias personagens políticos
DJP: Políticas devem levar a cabo uma actividade cultural profunda e conversar com as pessoas. Não basta serem eleitos. Os partidos têm que fazer uma revitalização.
DJP: Um dos caminhos é os partidos há medida que se “queimam” sem uma politica de profundidade, vão afastando as pessoas mais capazes. Os partidos que vão conquistar o poder tem que ter humildade e coragem para chamar as pessoas mais competentes,  mesmo que não tenham militância politica
DJP: Faço um apelo para que traçem um rumo para Portugal
FCF: O q acha da actuação do Presidente da República (PR)? Ele tem margem para fazer algo mais? Ultimamente só sabemos de novidades do através do que publica no facebook.
DJP: Eu não uso facebook.
DJP: O Professor Cavaco Silva é um homem discreto e usa pouco a palavra.
FCF: O que o PR diz pelo facebook chega?
DJP: O que eu penso do PR é que, após as eleições, ele não pode permitir que o Governo não consiga governar Portugal. O Governo tem que governar e tem que ter pessoas competentes.
FCF: A Conferência Episcopal (CP) criticou a situação política Portuguesa, acusando de não haver coragem para resolver problemas. O Senhor acha bem que a CP faça este comentário?
DJP: Eu já n me lembro bem disso, mas a os Bispos e Sacerdotes não intervêm muito directamente na coisa política. Eu demarco-me de algumas.
DJP: Há circunstâncias da vida de uma comunidade em que a Igreja pode ser chamada a intervir na política. Estou na disposição de fazer isso, através da transmissão de um esclarecimento aos portugueses. É preciso dialogar com o nosso povo.
FCF: Na base da crise financeira está o capitalismo selvagem. A Universidade Católica tem Curso de Economia e tem sido acusada de leccionar e promover os conceitos e a lógica neo-liberal. Sabendo nós que foi a linha ideológica neo-liberal a responsável pela actual crise mundial, o que tem a dizer sobre o facto de esse mesmo neo-liberalismo ser ministrado na Universidade Católica?
 DJP: A economia liberal tem uma vantagem que é a liberdade económica. Há aqui ambiguidades. Estamos assistir a um não controlo da parte dos Estados, relativamente a este sistema financeiro. O presidente do FMI faz um apelo para que os Estados não faça nenhum esquema de austeridade tal que acabe por matar a economia. A autoridade dos Estados está a ser posta em causa por outras razões.
DJP: Ouvi uma conferência do presidente da Microsoft e segundo disse, actual situação de crise pode pôr em causa a autoridade dos Estados. A incapacidade total da autoridade dos estado não poder controlar os assuntos financeiros é preocupante.
DJP: As Agencias de Rating não são uma ajuda boa. Servem certos interesses. Em vez de se ajudar a curar o doente, agrava-se a saúde do doente.
DJP: Preocupa-me a Europa que está numa fase complicada. O mundo muçulmano está em ebulição. A Europa está cercada de um mundo em ebulição. A própria Europa tem estes problemas mas não está a conseguir encontrar os caminhos de futuro para enfrentar o novo milénio num mundo que mudou.
FCF: Isto vai desembocar onde?
DJP: Eu penso que vai haver um novo paradigma. Os Estrados Unidos da América distanciam-se cada vez mais da Europa. Não lhes agrada este laicismo da Europa.
DJP: Com os problemas do mundo árabe não sei onde isto vai parar.
FCF: Em Portugal há infelicidade e depressão por causa da crise. Há solução para isto?
DJP: Sim. Caminha-se para uma nova ordem. Temos que nos ajudar uns aos outros. Temos que pôr ao dispor do País o melhor q ele tem. Há muita gente competente.
DJP: O que podem os Portugueses fazer pelo País? Dando as mãos e fazendo o melhor podemos fazer muito pelo País. Dar oportunidade a quem tem iniciativa. Temos muita matéria cinzenta boa.
DJP: Temos que abandonar a ideia de que o Estado resolve todos os nossos problemas. A coisa deve ser vista ao contrário. A questão a colocar deve ser: O que podemos nós fazer pelo Estado?
DJP: O Estado não é detentor de todas as soluções.
DJP: Relativamente ao excesso de pessoal na função pública, há que fazer uma boa planificação. Os trabalhadores em excesso poderão ser absorvidos pelo sector privado.
Filipa Bragança

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