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segunda-feira, 18 de abril de 2011

42 Médicos da Colômbia foram hoje colocados em 18 Centros de Saúde em Portugal

Segundo notícia avançada hoje pela Comunicação Social, foram hoje colocados 42 médicos  Colombianos em 18 Centros de Saúde do nosso País, sobretudo nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, para colmatar a carência de médicos de família.
Representante da Ordem dos Médicos já veio contestar esta colocação de médicos da Colômbia no Serviço Nacional de Saúde Português, alegando que muitos destes médicos não têm a adequada formação em Medicina Geral e Familiar. Ainda segundo a Ordem dos Médicos, a prioridade na colocação de médicos no Serviço Nacional de Saúde deveria recair sobre os Médicos Portugueses. No entanto, o Ministério Nacional da Saúde alega que tem de recorrer a médicos colombianos porque os médicos Portugueses não abundam em número suficiente, por forma a satisfazer todas as necessidades e carências do Serviço Nacional de saúde.

Reflexão:
a) A carência de Médicos no Serviço Nacional de Saúde, já não é de agora. É uma situação que se arrasta e que já se verifica no mínimo desde há 15 ou 20 anos. Existindo esta falta de médicos em Portugal desde há largos anos, porque não se abrem mais vagas nos Cursos de Medicina em Portugal?
b) É de uma ingratidão e injustiça brutal o que se faz aos estudantes portugueses candidatos a um Curso de Medicina em Portugal. Para se entrar num Curso de Medicina em Portugal, a média exigida após a conclusão do Ensino Secundário é altíssima, porque as vagas são sempre em número muito reduzido. Geralmente um estudante Português que termine o Ensino Secundário, não consegue entrar num Curso de Medicina com um média inferior a 18 ou 18,5 valores.
c) Com tamanha dificuldade em aceder a um Curso de Medicina no nosso País, muitos dos jovens Portugueses que não conseguem entrar no Curso em Portugal, vêem-se forçados a ir tirar o seu Curso de Medicina a Espanha ou à República Checa, ou a um qualquer outro País, o que é de uma tremenda violência e injustiça para os jovens, mas sobretudo para as famílias, uma vez que terão de ficar afastados dos jovens durante longos períodos de tempo e terão que suportar despesas altíssimas com a formação e educação dos seus filhos.
d) Após vários anos longe das famílias, muitos jovens concluem os seus cursos de Medicina em universidades no estrangeiro, regressando depois a Portugal para exercer a profissão pela qual tanto lutaram e pela qual tiveram que sair do País para obter a formação e o grau Académico de Licenciado (ou Mestre) em Medicina.
Pátria mãe ou antes Pátria madastra?

Grandes  Questões:
1- Se a escassez de médicos em Portugal é um problema crónico, porque não se abrem mais vagas para os jovens Portugueses estudarem Medicina em Portugal?
2- Porque têm os jovens Portugueses que ir tirar um Curso de Medicina ao Estrangeiro, se existe tanta falta de médicos em Portugal?
3- Se Portugal não abre vagas para formar mais Médicos no País, porque terá de ser um país estrangeiro a substituir-se a Portugal, assegurando a formação e garantindo a possibilidade de freqência de Curso, por parte de muitos dos jovens estudantes Nacionais?
4- Países ditos de 3º mundo como a Colômbia ou Cuba, conseguem formar médicos em número suficiente e até em número excedente, exportando até alguns dos seus profissionais para o nosso País?
Já Portugal que é um País supostamente do chamado mundo civilizado, não consegue formar os seus médicos em número suficiente, de modo a assegurar as necessidades de um País de cerca de 10 milhões de habitantes, ou seja, uma população que é por exemplo inferior a um quarto da população de Espanha (cerca de 46 milhões), é inferior a um sexto da população de França (cerca de 65 milhões) e que é inferior a um oitavo da população da Alemanha (cerca de 82 milhões) . Os nossos 10 milhões de habitantes constituem uma população que é muito inferior à existente em muitas da cidades do mundo, como por exemplo, S. Paulo no Brasil, que ultrapassa os 19 milhões de habitantes.
5- De facto, somos um País pequenino, mas não nos conseguimos governar e dependemos completamente da ajuda externa. Será que estamos perante um sinal de incompetência crónica grave dos nossos Governantes?
De acordo com as necessidades de formação de Médicos, é claramente visível que se trata de um problema grave, ao nível da gestão de recursos humanos. Não conseguimos gerir a formação dos nossos médicos, não conseguimos gerir as nossa contas nacionais. Estamos completamente dependentes da ajuda externa! Venham médicos da Colômbia ou de Cuba, venha a ajuda da UE, do BCE e do FMI que agora também fica bem designar por Troika.
Filipa Bragança
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